sexta-feira, 22 de julho de 2016
O Dono que não é Dono de Nada
Eu passei uns dias na casa de um agricultor humilde e simpático. Após longa conversa, debatemos a situação que com se encontra nossos produtores rurais. Tem direito a um pedaço de terra, mas, não tem o direito de usá-la em sua totalidade. É limitado a míseros 20% do total da propriedade e, caso nessa área haja nascente ou cursos d'água, esse percentual cai. O mais interessante de tudo isso é que o proprietário é obrigado, por lei, de cuidar dos 80% restante da propriedade gratuitamente. Ou seja, o produtor ganha um pedaço de terra, não pode cultivá-la por completo e ainda é obrigado a cuidar por algo que nada recebe em troca.
Muitos ambientalistas vão dizer: mas dos 80% preservado, o produtor pode tirar carne de caça, frutas, lenha, madeira para construção de suas casas, entre outros. Mas, esquecem que os 20% a que tem direito de produzir não são suficientes para manter suas criações, família e os 80% que é obrigado a cuidar. Vou além, 99% desses ambientalistas (sendo esse percentual bem conservador) não trocam o conforto de seu lar, do transporte de veículos automotores, do asfalto que passa em frente de suas casas, por uma propriedade dessas e nem se sujeita a viver com o mesmo padrão de sobrevivência desses produtores. De dentro de um escritório refrigerado, com bebedouros de água gelada a sua disposição, café quente na hora que quiserem, e robusto salário no final do mês, estabelecem regras e leis para submeterem produtores rurais a seus caprichos. Estabelecem leis estapafúrdias e perseguem aqueles que almejam ampliar suas áreas de produção.
Os produtores rurais não podem realizar queimadas, ou seja, não podem produzir. Já que as máquinas agrícolas prometidas, como tratores e escavadeiras hidráulicas nunca chegam a eles. Vivem na expectativa de um dia isso mudar e assim, poder cuidar de sua terra.
Essa lei perversa, onde multas valem de 10 a 100 vezes o valor de suas propriedades, onde o governo encabresta pequenos produtores sem nada lhe oferecer em troca, tem que acabar. O governo federal, através de algum projeto de lei, deve ressarcir financeiramente todos esses anos em que os produtores protegeram as florestas de suas áreas. E, a partir de agora, pagar para que os produtores venham a continuar a fazer isso.
Se querem preservar, que o façam de forma social e equiparada, em que produtores possam ter o retorno disso. Não é justo cobrar e não oferecer nada em troca.
O mais incrível é que a mesma ferocidade com que cuidam da zona rural, não o fazem na zona urbana. São dois pesos e duas medidas. Na zona urbana tudo pode e não existe nada contra. Já na zona rural, os filhos dos produtores já nascem perseguidos e, se a propriedade de seu pai tiver alguma multa por desmatamento ou queimadas, e esses filhos a herdarem, já crescem endividados, sem nunca ter feito algum tipo de negócio.
É esse Brasil desigual que muitos defendem e não conhecem a verdadeira realidade.
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